terça-feira, 18 de agosto de 2009

A DIFERENÇA DE SER OU ESTAR PROFESSOR.

Havia esquecido de contar minha experiência como professora do ensino fundamental de 1º a 4º séries. E, teclando com minha nova amiga virtual, lembrei e vou contar, agora:

Eu fui trabalhar de aluna pesquisadora mas além de observar, dei algumas aulas e tudo valeu muito; tanto para eu ter certeza do que eu quero ser e certeza do que eu não quero ser.

Amei cada criança. Tinha tanta vontade de dar carinho a elas pois são super receptivas mas peguei uma professora nova( na idade) mas não na profissão e tinha que ter muito jogo de cintura para ficar com ela.
Ela sabia muito mas jamais quero ser como ela...que eu nunca mude com o tempo.
Eu, também, sabia muito pouco e achava certo o ensino mais tradicional do que da Emílio Ferrero e Jean Peaget, como outros...
Parei de tão mal que ela estava me fazendo e fico imaginando pra aquelas crianças...ficava morrendo de dó mas nada podia fazer.

Claro que as crianças fazem bagunça, gostam de conversar, testam você o tempo todo e tem que ter dissernimento de quando elas estão mentindo ou não.
É complicado, o assunto "disciplina" quando isso não se tem mais em casa.
Enquanto escola, instituição, o problema é o lado social porque a escola virou família, casa, educação, berço, tudo e as famílias, cada vez mais delegando tudo a escola e tirando sua própria responsabilidade. É absurdo, a cobrança que a escola tem e os professores, só quem pode ver o outro lado sabe que não é fácil...é muita responsabilidade.
Vamos ao que eu presenciei e vivenciei:

Uma vez, esta professora falou pra eu tomar conta das crianças que não haviam acabado a lição enquanto levava o outro grupo pra o recreio. Vou dar o nome dela de Maria.
1°) As coisas que ela fez que não gostei ou achei errado demais:

As crianças iam terminando e me pediam para ir lanchar e eu deixei, sem maldade nenhuma.
A professora Maria fez os dois alunos voltarem e falou gritando que quem mandava era ela e que não mandou ninguém sair da sala, sem olhar na minha cara.
Quando ela gritava, com as crianças, que era direto, eu levava cada susto que até eu ficava com medo, imagine crianças de 6 e 7 anos.

Colocava eu sentada num canto com um ou dois alunos mais fracos para eu ensinar e até me elogiou que dois deles haviam melhorado muito a escrita.
Além do que o governo exige que seja dado, através de um livro, distribuido pra todas as escolas, ela dava apostilas pra decorar as letras, palavras, números e várias vezes copiar as mesmas coisas.

Hoje, aprendi que eles escrevem mas nem sabem o que estão escrevendo mas tem que fazer se não sai de baixo...mais cópias.
Tinha uma menininha que eu achava ela muito bebezona, linda, falou pra mim:- tia meu dedo está até doendo de tanto escrever.
Existem tantas técnicas de alfabetização em que a criança consegue escrever e saber o que está fazendo sem tanto sofrimento.

Aprendemos tantas coisas maravilhosas na faculdade, com pensadores, pesquisadores maravilhosos para ver a realidade completamente oposta...fiquei tão decepcionada.

Me pediram para dar aula na 3º série e eu fui, como iria falar não?
Foi difícil o primeiro dia, totalmente crua, eles me testando, falando sem parar, correndo pela sala e meu tom de voz é baixo, tinha que falar bem alto para que me escutassem...uma loucura...saí de lá rouca.

Depois fiquei uma na 4º série, bem melhor, 2º série consegui a atenção deles e mais umas vezes, consegui fazer com que se interessassem pelo que estava falando.
Claro que tem aqueles mais problemáticos...mas eu não ficava com raiva...queria poder ter tempo de conversar com eles e saber o que os afligia.

Uma dessas salas, a professora pediu para eu anotar o nome de quem não obedecia, etc. Quando ela voltou, passei pra ela...meu, foi horrível o que ela fez com o menino...parece que doeu em mim, ela falou:
-Só podia ser ele mesmo. O pai dele já falou na sala pra todos escutarem que ele vai ser um caminhoneiro ou um bandido porque não tem mais jeito, etc...não lembro.
Isso é coisa de um pai falar de um filho na frente dos colegas e a professora repetir, bem alto.
Me coloquei no lugar daquele menino...quão sozinho ele devia se sentir, tão magoado e tendo que se fingir de forte e reforçar tudo de ruim que falavam dele.
Queria poder dizer que eu acreditava no potencial dela mas nada pude fazer...
Fazia pouco tempo que havia feito pedagogia embora já trabalhasse com crianças há muitos anos, o que foi que ela aprendeu?
Nem como Pedagoga e nem como ser humano, só quem passou isso é que sabe a dor.

Aí, outros professores falaram que não podemos ter envolvimento emocional com os alunos...tipo cada um com seus problemas...eu, particularmente, não concordo.

Voltando a minha sala:
Depois dessa grosseria que a professora Maria fez, eu não falava mais nada, o que me pedissem, eu falava que era com ela, fosse o que fosse. Já imaginou ela gritando de novo?
Ninguém merece.
2º)
As crianças queriam me cumprimentar quando chegavam ou eu ía embora e ela nunca deixou. De vez em quando, na hora do recreio, uma vinha me abraçar mas longe dela. Se não dava bronca ou deixava de castigo, ou fazendo mais lição...sei lá.
3º)
Se elas ficassem falando comigo qualquer coisa, até um lápis que caiu no chão, ela já gritava:-o que que foi aí? O que está acontecendo? Vamos ficar quietos?
4º)
Uma vez, um pouco tempo que fiquei com algumas crianças sozinhas, descobri que uma estava com o corpo todo cheio de sarna e a outra cheia de piolho. Passei para ela que passou pra coordenação porque por ela, não queria saber de nada. Só que eles tinham que passar de ano sabendo o alfabeto todo, escrevendo...era o objetivo...agora o que cada um passava, ela não queria nem saber.
5º)
Quando algum aluninho brincava ou sorria, ela perguntava:-Tá feliz? Tá feliz? Vou acabar com tua felicidade. E, as criancinhas ficavam quietinhas.
Elas tinha que sentar direitinho nas carteiras com as pernar fechadas, sem virar para os lados, se mexer ou falarem com algum colega.
6º)
Ela deixou uma vez, uma menina de castigo, só porque ela estava conversando na fila e já havia dado bronca e agora ela não ía participar de outra atividade com o grupo. Pediu para eu ficar com ela e sei que ela era sensível, tanto que começou a chorar. Então falei a ela pra sentar ao meu lado e desenhar uma árvore de Natal bem bonita pra mim.
A professora Maria chegou, já mandando ela voltar para o lugar dela. Aí, a aluninha virou para atrás e falou que depois me entregava a árvore. E, a professora falou:- O que foi?
A aluna:-Nada prô, é que depois vou terminar de desenhar uma árvore para prô Katia.
A professora:- Me dá isso agora. E, tomou dela.
No dia seguinte a aluninha me falou que a professora brigou com ela e proibiu que fizesse qualquer desenho pra mim e ela falou:- mas eu não liguei não prô, depois faço outra pra você.

Uma outra aluninha me contou coisas tão tristes da vida dela e falava que eu era como um anjo pra ela. Que os pais brigavam muito e ela falava sempre com Deus e se sentia muito sozinha e eu falei que não estava que além de Deus estar sempre com ela, eu também estava.

7º)
Não sei se fiz certo mas dei meu telefone e escrevi algo de Deus pra ela. Foi quando a professora nos separou e disse que ela falava demais. Ela me olhou com se dissesse e agora? E, eu respondi, posso estar longe mas vou sempre estar te olhando daqui, tá?
A professora veio falar comigo no dia seguinte, que ainda bem que ela viu o bilhete que dei pra aluna e jogou fora, que não podemos dizer nada de Deus pra aluno nenhum, muito menos dar o telefone e eu contei que queria ajudá-la pois me contou tanto sofrimento. E, ela respondeu:- Você sabe se é verdade mesmo? Vai saber se ela não inventou tudo...criança menti.
Nunca faça isso porque dá problema...pedi desculpas pois não sabia...só queria ajudar.

E, nunca mais voltei, lá.
Sinto muitas saudades das crianças...mas quando penso no que sentia naquela classe e a agonia dos aluninhos...não sinto vontade de voltar.

Hoje, se for para eu voltar, quero ter minha sala, meus alunos e poder aplicar os ensinamentos de alfabetização sem sofrimento...como sou ensinada na faculdade.
Quero me especializar em alfabetização e pedagogia escolar, além de fazer pós em psicopedagogia para ajudar as crianças.

MEU PROFESSOR DE FILOSOFIA SEMPRE FALOU QUE EXISTE DIFERENÇA ENTRE SER PROFESSOR(AQUELE QUE AMA SUA PROFISSÃO) E ESTAR PROFESSOR(ESTA POR UM TEMPO, PELO DINHEIRO, SÓ PRA TER UM DIPLOMA, ETC)

EU ESTOU AMANDO O QUE APRENDO A CADA DIA. ABRIU MINHA MENTE PARA AS MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO E DENTRO DELA.
COMO DISSE SÓCRATES: QUANTO MAIS SABEMOS, MAIS DESCOBRIMOS QUE NÃO SABEMOS NADA. HÁ TANTO PARA SE APRENDER...SÃO DIMENSÕES INFINITAS...
HÁ TANTO PARA SE DESCOBRIR E SE CONHECER DE SI MESMO E DO MUNDO QUE NOS RODEIA, FORA O MUNDO ESPIRITUAL, TAMBÉM.

SEJA QUAL FOR O PROFISSIONAL QUE VOCÊ É OU VAI SER, SÓ PENSE BEM NUMA COISA, QUE A MAIORIA ESQUECE:"VOCÊ ESTA TRATANDO COM OUTRO SER HUMANO, ISTO É, UM SER COM SENTIMENTOS E NÃO UMA MÁQUINA, OU ALGUÉM PARA VOCÊ APLICAR SEU TRABALHO E ACABOU.
OLHE NOS OLHOS, PERGUNTE COMO ESTÁ ESTA PESSOA, SEJA HUMANO COM SEU SEMELHANTE E SE COLOQUE NO LUGAR DO OUTRO SEMPRE.

3 comentários:

  1. Oiii flor, ando meio corrida, mas pode ter certeza que te escrevo sim, hj só passei aki pra te deixar um big beijo e dizer que seu post é verdadeiro, estou na educação há 8 anos e vejo cenas como essas todos os dias, a situação é critica, mas precisamos de pessoas que nos ajudem sempre, bjocas no seu coração e um excelente restinho de semana

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  2. MIlla, a Insana21/08/09 00:54

    Katia, infelizmente eh assim mesmo..Nós espiritas aprendemos q este eh um mundo de provas e expiaçoes, e que tbem, as crianças sao espiritos antigos jah passaram por mtas experiencias em outras encarnaçoes e agora eles estao nessa aparencia e fragilidade, mas com certeza a verdadeira personalidade deles em breve vai se aflorar.Eu qdo era criança tinha pela consciencia da minha personlidade...da minha essencia q nao mudou ate hj.
    Eu tbem tinha uma prof carrasca na 2a serie primaria. Nos tinhamos tanto medo dela q um dia eu passei mal na sala de aula. E nakela epoca a gente ficava de castigo no milho.. aff... e ela ainda batia na nossa mao e dava tapa na nossa bunda...
    Mas isso, graças a Deus nao me influencio em nada, somente a pressa de sair logo dakele ano, de me livrar logo dakela bruxa infeliz. Em compensaçao, um ano antes e um depois eu tive profs maravilhosas e verdadeiros anjos!

    Mas sabe como eh hj em dia...mtos mestres perderam o respeito, nao se dao respeito,e os alunos ate batem neles. A gereaçoes vem mudando, o homem parece q se animalizando e a gente do outro lada, tentando melhorar o q resta...

    Mas eu prefiro acreditar q Deus coloca as pessoas certas no nosso caminho pra nos ajudar a evoluir. Quem sabe essa forma energica dela ser seja exatamente o q certos grupos alunos precisam nesse momento????

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  3. MIlla, a Insana21/08/09 01:05

    Outra coisa...minha irma q eh assintente social, tbem reclama da postura de certos profissionais...
    Ela vivia me contando sobre posturas da diretora assintente social e uma psicologa recem formada de onde ela trabalhava. A primeira, era mto durona, mas tinha um jogo de cintura mto bom devido aos anos de experiencia e conhecia mto bem a malandragem de certas crianças e adolescentes infratores ou em situaçao de rua...mtas vezes ela tbem era boa em ajudar, mas na maioria...era melhor deixar problemas grandes pra quem tivesse boa vontade de resolver q queriam segurar a "bronca" de um problema em potencial.A segunda, se esquivava das responsabilidades de uma profissional e preferia fazer outras funçoes administrativas com a conivencia da diretora.
    E a mminha irma, na ansia deaprender e ser util e justa.. se f....
    Trabalhar com crianças e adolescentes com familias problematicas ou sem familia eh mto dificil...crianças q jah passaram pela fundaçao CAsa, antiga Febem...etc...Mas minha irma adorava, mesmo assim, esses pessoalzinho...e tem a consciencia limpa de q fazia a parte dela e deu o melhor q podia dar, apesar de todo o estresse do abrigo, das coisas q aonteciam lah pq mais de 20 internados nao eh facil, com codigos de etica especifico deles as vezes nem tao coerentes assim, ela conseguia se entender com eles.
    Mas ela saiu de lah por causa da Diretora (grossa e estupida, apesar de mtos pontos fortes e bons dela)..Minha irma sente mta falta do povinho de lah...apesar deles serem o q sao...vai saber.. vai se entender a vida..

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